“Todo jardim começa com um sonho de amor.
Antes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles”.
Rubem Alves

com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas”.
com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando”.
cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais”.
Importância – “É muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias, e é maravilhoso que a educação seja capaz de motivá-las até dar forma a um estilo de vida” (LS, n. 211).
como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens”.
e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário”.
“Os campos de experiências constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural.” (BNCC 2018).
É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista.” (BNCC 2018, p. 40).
“Na Educação Infantil, o corpo das crianças ganha centralidade, pois ele é o partícipe privilegiado das práticas pedagógicas de cuidado físico, orientadas para a emancipação e a liberdade, e não para a submissão. Assim, a instituição escolar precisa promover oportunidades ricas para que as crianças possam, sempre animadas pelo espírito lúdico e na interação com seus pares, explorar e vivenciar um amplo repertório de movimentos, gestos, olhares, sons e mímicas com o corpo, para descobrir variados modos de ocupação e uso do espaço com o corpo.” (BNCC 2018, p. 41).
“Conviver com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas, locais e universais, no cotidiano da instituição escolar, possibilita às crianças, por meio de experiências diversificadas, vivenciar diversas formas de expressão e linguagens, como as artes visuais (pintura, modelagem, colagem, fotografia etc.), a música, o teatro, a dança e o audiovisual, entre outras.” (BNCC 2018, p. 41).
“Na Educação Infantil, é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social.” (BNCC 2018, p. 42).
“(…) a Educação Infantil precisa promover experiências nas quais as crianças possam fazer observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno, levantar hipóteses e consultar fontes de informação para buscar respostas às suas curiosidades e indagações. Assim, a instituição escolar está criando oportunidades para que as crianças ampliem seus conhecimentos do mundo físico e sociocultural e possam utilizá-los em seu cotidiano.” (BNCC 2018, p. 43).
“Na Educação Infantil, as aprendizagens essenciais compreendem tanto comportamentos, habilidades e conhecimentos quanto vivências que promovem aprendizagem e desenvolvimento nos diversos campos de experiências, sempre tomando as interações e a brincadeira como eixos estruturantes.”
Os valores elencados em cada Projeto Interdisciplinar foram pensados e extraídos de acordo com a faixa etária de cada educando, tendo como inspiração os objetivos de aprendizagem, as competências e as habilidades da BNCC e a Carta Encíclica Laudato Si’ sobre o Cuidado da Casa Comum, do Papa Francisco. São elementos inspiradores que perpassam todas as propostas de atividades, reflexões, momentos orantes e ações envolvendo crianças, adolescentes e jovens estudantes das escolas brasileiras. As equipes de coordenação e professores devem dinamizar os projetos levando em conta cada valor aqui explicitado, mas, certamente, terão tantos outros que comungam do mesmo apreço e estarão presentes nessa nobre missão.
Lições da Laudato Si’
Destinatários – “Agora, à vista da deterioração global do ambiente, quero dirigir-me a cada pessoa que habita neste planeta” (LS, n. 3).
Partindo desse pressuposto, propomos neste Projeto Interdisciplinar com crianças da Educação Infantil o desenvolvimento de reflexões, atividades didático-pedagógicas, orações e ações que possibilitem maior proximidade e contato com a natureza, de forma que construam e estabeleçam relações duradouras de amizade e comprometimento com o cuidado de si mesmas, entre seus pares, com as demais pessoas de seu círculo de convivência familiar e com a natureza.
Na sequência didático-pedagógica, sugerimos um momento de sensibilização junto a natureza, um espaço para a contação de história, atividades didático-pedagógicas, um texto bíblico em sintonia com a temática, seguido de um momento orante, ações e desafios interdisciplinares e ações de culminância. Alguns momentos e ações são apresentados em formas descritivas; outros, compartilhamos links para acesso a sugestões e propostas de atividades ou aprofundamento da temática.
1 – SENSIBILIZAÇÃO
Propomos um momento de sensibilização junto à natureza antes de iniciarmos as propriamente ditas reflexões, atividades didático-pedagógicas, ações e orações do projeto interdisciplinar, no intuito de nos reconectarmos à nossa essência para dela extrairmos novas inspirações e iniciativas de relação amorosa, valorosa e empática. “(…) se nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe, então brotarão de modo espontâneo a sobriedade e a solicitude” (LS, n. 11). Assim é possível “reconhecer a natureza como um livro esplêndido onde Deus nos fala e transmite algo da sua beleza e bondade” (LS, n. 12).
Para a contação de história, o(a) professor(a) poderá escolher um ambiente junto à natureza ou um espaço verde dentro da escola em que reunirá as crianças para esse momento de escuta e reflexão. Caso não tenha esse espaço, a sala de aula é o ambiente a ser considerado.
Sugerimos a história do livro Azul e lindo: Planeta Terra, nossa casa (de ROCHA, Ruth e ROTH, Otávio. São Paulo: Salamandra, 2015). A obra aborda a importância do cuidado com a casa de todos: o planeta Terra. O texto questiona nossas ações e atitudes que causam danos à natureza, mas também provoca a todos para fazer algo em favor dela a fim de garantir melhor qualidade de vida e bem-estar coletivo.
Para o momento de escuta, reflexão e meditação da Palavra de Deus, o ideal seria organizar um espaço da escola junto à natureza (jardim, bosque, gramado). Escolher um espaço que ajude as crianças a celebrarem a interconexão entre a humanidade, a criação e o Criador, colocando em evidência os aspectos de pertencimento, de responsabilidade comum e de cuidado com o meio ambiente.
Você poderá assistir com as crianças a Contação de História Bíblica da Criação acessando o link: https://www.youtube.com/watch?v=aWgZHFA_-eI
Também poderá fazer a leitura completa do relato bíblico da Criação (Gn 1,1-31), buscando compreender as dimensões da harmonia, diversidade, pluralidade, variedades, função humana e bondade divina, acessando o link: https://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_P8.HTM
Ou poderá fazer a leitura diretamente da Bíblia, conforme descrição abaixo:
Leitura do Livro de Gênesis 1,26-31: “E Deus disse: – Façamos o homem à nossa imagem e semelhança; que eles dominem os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos e todos os répteis.
E Deus criou o homem e a mulher à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
E Deus os abençoou e Deus lhes disse: – Crescei, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem sobre a terra.
E Deus disse: – Vede, eu vos entrego todas as ervas que dão semente sobre a face da terra; e todas as árvores frutíferas que dão semente vos servirão de alimento; e para todos os animais da terra, para todas as aves do céu, para todos os répteis da terra – para todo o ser que respira – a erva verde lhes servirá de alimento.
E assim foi.
E Deus viu tudo o que havia.
Para a reflexão e o aprofundamento…
As narrativas bíblicas da Criação põem em destaque o plano de Deus, que inclui a criação da humanidade. Depois de criar o homem e a mulher, afirmam que “Deus, vendo sua obra, considerou-a muito boa” (Gn 1,31).Isso vai de encontro ao que o Papa Bento XVI tão belamente expressou: “Cada um de nós é o fruto de um pensamento de Deus. Cada um de nós é querido, cada um de nós é amado, cada um é necessário”, porque cada um de nós foi criado por amor e feito à imagem e semelhança de Deus.
Um outro ensinamento que podemos extrair dos relatos bíblicos da Criação é o de que não fomos criados isolados; somos parte de uma diversidade quase infinita de seres vivos convivendo no mesmo planeta Terra. Por esta razão, segundo o Papa Francisco, “a existência humana se baseia sobre três relações fundamentais intimamente ligadas: as relações com Deus, com o próximo e com a Terra”. E essas relações, conforme o Criador, devem ser harmônicas, equilibradas e horizontais, isto é, de reciprocidade.
Assim somos agradecidos a Deus por tudo o que nos criou, pelo dom da vida de cada um de nós e pela inteligência com que nos dotou.
Encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, “Evangelho da Criação”, números 62-100: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html
O cuidado da criação na perspectiva bíblica, de Frei Ludovico Garmus, OFM, acessando o link: https://franciscanos.org.br/vidacrista/o-cuidado-da-criacao-na-perspectiva-biblica/#gsc.tab=0
Com as crianças da Educação Infantil, este Salmo poderá ser rezado de forma que o(a) professor(a) recite a primeira parte e as crianças respondam: “porque é eterna sua misericórdia!”
Dai graças ao Senhor porque é bom, porque é eterna sua misericórdia.
Dai graças ao Deus dos deuses, porque é eterna sua misericórdia.
Dai graças ao Senhor dos senhores, porque é eterna sua misericórdia.
Ao único que faz grandes maravilhas, porque é eterna sua misericórdia.
Ao que fez o céu com maestria, porque é eterna sua misericórdia.
Ao que forjou a terra sobre as águas, porque é eterna sua misericórdia.
Ao que fez os grandes luminares, porque é eterna sua misericórdia.
O sol, governador do dia, porque é eterna sua misericórdia.
A lua (e as estrelas), governadora da noite, porque é eterna sua misericórdia.
Com mão forte, com braço estendido, porque é eterna sua misericórdia.
Ao que conduziu o povo pelo deserto, porque é eterna sua misericórdia.
E entregou sua terra em herança, porque é eterna sua misericórdia.
Ele dá alimento a todo vivente, porque é eterna sua misericórdia.
Dai graças ao Deus do céu, porque é eterna sua misericórdia.
Na sequência, sugerimos ouvir o “Cântico das Criaturas”, de São Francisco de Assis, acessando o link: https://www.youtube.com/watch?v=Xih4JFn6lr4
Oração da Campanha da Fraternidade 2025
Pai Nosso…
Gestos Concretos:
Lições da Laudato Si’
Objetivo – “Nesta encíclica, pretendo especialmente entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum” (LS, n. 3). No desafio de “unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral” (LS, n. 13).
Provocar as crianças a rever seus hábitos alimentares para consumir lanches e refeições mais naturais e saudáveis, buscando apoio e valorização de produtores e agricultores orgânicos locais e regionais.
As ações e desafios interdisciplinares sobre a Fraternidade e a Ecologia Integral, aqui propostos com crianças da Educação Infantil, visam promover uma proximidade ainda maior com a natureza, fomentando uma relação de pertença e compromisso a partir dos campos de experiências da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Seguem algumas sugestões de ações e desafios:
Cultivar uma horta escolar em vista do conhecimento do ciclo de vida das plantas e hortaliças.
Participar ativamente do cuidado das plantas e aprender sobre a compostagem orgânica.
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Organizar visitas a parques naturais, reservas ambientais ou centros de conservação.
Observar e comparar diferentes ecossistemas, compreendendo as interações entre os seres vivos e o ambiente.
Nas saídas a campo, especialmente a parques e áreas de preservação natural, promover momentos de escuta da natureza (cantos dos pássaros, rugir de animais, barulho da água e outros sons), observando as diferentes formas e cores, entre outras riquezas que a natureza nos oferece.
Desenvolver a sensibilidade e a observação das crianças para o cuidado com a natureza em suas diferentes manifestações.
Propor atividades de observação e exploração do ambiente natural da escola, da família, do bairro, da cidade, do campo onde vivem.
Promover saídas a campo para conhecer a biodiversidade local: rios, parques, matas, diferentes biomas, reservas florestais, lixões…
Envolver as famílias e a comunidade em projetos de conscientização ambiental.
Realizar uma campanha de sensibilização sobre a importância da preservação ambiental, utilizando materiais criados pelas próprias crianças.
Identificar as diferentes espécies de plantas, insetos e animais encontrados no entorno da escola, bairro, cidade…
Realizar atividades de criação com materiais recicláveis e não estruturados.
Transformar materiais usados em novos objetos e refletir sobre a importância da reciclagem para o meio ambiente.
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Organizar e participar de uma feira ou mostra sustentável no ambiente escolar envolvendo as famílias e aberto à comunidade em geral na Semana Mundial do Meio Ambiente, de 1º a 05 de junho de 2025, reunindo todas as ações e os projetos desenvolvidos ou em andamento nos diversos segmentos da escola.
Promover um momento, envolvendo as famílias, em que cada criança possa plantar uma árvore e acompanhá-la em seu crescimento e desenvolvimento. Para viabilizar este gesto, a equipe de gestores, docentes e educandos da escola buscarão junto aos órgãos ambientais responsáveis um espaço propício para realizar essa ação concreta em favor da sustentabilidade.