“(…) um ser humano que pretenda tomar o lugar de Deus torna-se o pior perigo para si mesmo.”
Papa Francisco

“Utilizar diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais) para exercer, com autonomia e colaboração, protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva, de forma crítica, criativa, ética e solidária, defendendo pontos de vista que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável, em âmbito local, regional e global.”
“Propor ou participar de ações para investigar desafios do mundo contemporâneo e tomar decisões éticas e socialmente responsáveis, com base na análise de problemas sociais, como os voltados a situações de saúde, sustentabilidade, das implicações da tecnologia no mundo do trabalho, entre outros, mobilizando e articulando conceitos, procedimentos e linguagens próprios da Matemática.”
“Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza para tomar decisões frente a questões científico-tecnológicas e socioambientais e a respeito da saúde individual e coletiva, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários”.
“Analisar fenômenos naturais e processos tecnológicos, com base nas interações e relações entre matéria e energia, para propor ações individuais e coletivas que aperfeiçoem processos produtivos, minimizem impactos socioambientais e melhorem as condições de vida em âmbito local, regional e global.”
“Analisar e avaliar criticamente as relações de diferentes grupos, povos e sociedades com a natureza (produção, distribuição e consumo) e seus impactos econômicos e socioambientais, com vistas à proposição de alternativas que respeitem e promovam a consciência, a ética socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional, nacional e global.”
“Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.”
“Propor ou participar de ações adequadas às demandas da região, preferencialmente para sua comunidade, envolvendo medições
e cálculos de perímetro, de área, de volume, de capacidade ou de massa.”
“Analisar os ciclos biogeoquímicos e interpretar os efeitos de fenômenos naturais e da interferência humana sobre esses ciclos, para promover ações individuais e/ou coletivas que minimizem consequências nocivas à vida.”
“Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos socioeconômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta (como a adoção dos sistemas da agro biodiversidade e agroflorestal por diferentes comunidades, entre outros).”
Pensar num modelo circular de produção, desenvolver a capacidade de absorver e reutilizar os resíduos e escórias do sistema industrial, limitar e/ou moderar o máximo possível do uso de recursos não-renováveis, maximizar a eficiência do reaproveitamento e reutilização de resíduos produzidos em todos os setores da sociedade e repensar nosso modo de viver ou nosso estilo de vida sob um novo olhar de pertença à natureza, são desafios coletivos em favor da sustentabilidade do planeta. “A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater este aquecimento (global) ou, pelos menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam” (LS, 23), desafia o Papa Francisco. Assim todos sobreviveremos! Que tal?
É justamente isso que propomos à juventude do Ensino Médio. É possível? Existem perspectivas, saídas, soluções e esperanças para reverter a realidade de agressão ao meio ambiente? O que vislumbramos no horizonte? Temos caminhos já construídos à nossa volta que sirvam de inspiração e propulsão de novas iniciativas? Cremos que sim!
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) oferece aos estudantes do Ensino Médio competências e habilidades específicas, por área do conhecimento e por componente curricular, que balizam uma reflexão mais focada nesse assunto e ajudam a delinearmos caminhos de ações, iniciativas ou incrementos de projetos sustentáveis que viabilizem a vida comum em nosso planeta.
Na sequência, delineamos alguns passos que poderão ser seguidos pela equipe de coordenação e professores do Ensino Médio ou servir de provocação inicial para a construção de novos caminhos de reflexão acerca da temática proposta. O tema é amplo e vasto, requerendo de todos especificar focos de abordagens que os grupos trilharão para obter informações, dados, conhecimentos e encaminhamentos mais precisos e com sentido para o contexto da comunidade escolar e local.
Para o estudo, a reflexão, a compreensão e os encaminhamentos de ações, atividades e compromissos advindos da abordagem temática deste Projeto Interdisciplinar, faz-se imprescindível a leitura prévia, tanto dos professores quanto dos estudantes envolvidos, dos seguintes textos:
1 – SENSIBILIZAÇÃO
Propomos este momento de sensibilização com a natureza, antes de iniciarmos as propriamente ditas reflexões, atividades didático-pedagógicas, ações e orações do projeto interdisciplinar, no intuito de reconectarmos com a nossa essência para dela extrairmos novas inspirações e iniciativas de relação amorosa, valorosa e empática. “(…) se nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe, então brotarão de modo espontâneo a sobriedade e a solicitude” (LS, n. 11). Assim, é possível “reconhecer a natureza como um livro esplêndido onde Deus nos fala e transmite algo da sua beleza e bondade” (LS, n. 12).
2 – DINÂMICA…
Seminário de Estudos – Passo a passo e dicas, confira no link: https://www.youtube.com/watch?v=QsNqddku3-g
Passo 1 – Escolha do tema: Brainstorming – Pode-se iniciar com um momento de Brainstorming, ou Tempestade de Ideias, para delimitarem os principais enfoques sobre os desafios da sustentabilidade na ótica da Ecologia Integral. Considerem aqui algumas sugestões, tais como: conceito de sustentabilidade, resgate histórico, diferentes compreensões de abordagens, situação atual de compreensão (pessoal, familiar, comunitária, entes públicos e privados, grupos defensores…), aplicações em curso, entre outros. Deve-se abordar assuntos pertinentes ao contexto escolar.
Passo 2 – Formação de grupos: Dividir os estudantes em grupos menores, preferencialmente com interesses complementares ou variados de acordo com o assunto escolhido.
Passo 3 – Definição do roteiro ou estrutura de apresentação: Cada subgrupo focará em um ou mais aspecto(s) específico(s) do tema.
Passo 4 – Pesquisa aprofundada do tema: Selecionar os principais aspectos, tópicos e elementos importantes, experiências exitosas e casos ilustrativos a serem compartilhados com os participantes, utilizando fontes confiáveis.
Passo 5 – Elaboração do conteúdo a ser compartilhado: A partir da pesquisa, os grupos devem desenvolver e organizar o conteúdo da apresentação de modo que ela tenha uma introdução, desenvolvimento dos principais tópicos e conclusão.
Passo 6 – Organização e realização do evento: Definir um dia e horário que facilite a participação do público convidado (estudantes, famílias, comunidade escolar, profissionais especialistas ou comunidade em geral).
Passo 7 – Avaliação e feedback: Concluído o seminário, faça uma avaliação do desempenho dos grupos e dê feedback construtivo sobre as apresentações. Incentive os estudantes a refletirem sobre o que aprenderam e como poderiam melhorar em futuras oportunidades.
Passo 8 – Follow-up: Ao término do seminário, discutir com os estudantes, os envolvidos e a comunidade escolar as diferentes formas de aplicação dos estudos na vida cotidiana e/ou no desenvolvimento de projetos específicos de sustentabilidade do meio ambiente.
3 – APROFUNDAMENTO E ATIVIDADES
AQUECIMENTO GLOBAL
Sobre Educação Ambiental – artigos, dicas e curiosidades, reflexões, sensibilização, dinâmicas e recursos didático-pedagógicos e ações e projetos inspiradores. Acesse:https://www.revistaea.org/.
Organizar o ambiente orante de forma que traduza os principais elementos abordados neste Projeto Interdisciplinar: Bíblia, sementes variadas preferencialmente de hortaliças, vela, terra, adubo orgânico, pequenas plantas… Dispor os participantes em círculo para facilitar a participação e envolvimento de todos. Alguém poderá preparar previamente a contação e proclamação da Parábola do Grão de Mostarda.
O momento da iluminação bíblica é o espaço em que buscamos na Palavra de Deus a inspiração e o vigor necessário para iluminar nossos passos em direção às iniciativas que promovam a sustentabilidade e o cuidado com nossa Casa Comum, o planeta Terra. Falar de semente é falar do potencial que ela tem para gerar uma nova planta, uma nova chance de renovação da natureza para superar os desafios das agressões sofridas pelas atitudes do ser humano. Assim poderão ser nossas intencionalidades e ações em prol de um planeta viável e sustentável: dispor nosso potencial e força em benefício de todos.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. “Contou-lhes outra parábola. O reinado de Deus se parece com um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo. É a menor de todas as sementes; contudo, quando cresce, é a mais alta que outras hortaliças; torna-se uma árvore, vêm os pássaros e se aninham em seus ramos.”
Interiorização…
Em silêncio, todos são convidados a meditar a Parábola do Grão de Mostarda ouvindo a canção: As sementes que me deste – https://www.youtube.com/watch?v=qnVnICTkAks ou o instrumental – https://www.youtube.com/watch?v=BeRzHTpltRA.
Para reflexão e aprofundamento…
A Parábola do Grão de Mostarda descreve o dinamismo da Palavra de Deus na vida das pessoas, de povos e do ecossistema. Mesmo sendo a menor das sementes, cresce e se torna uma grande árvore, de modo que os pássaros podem fazer ninhos em seus ramos.
Se aplicada na perspectiva da ecologia integral ou da sustentabilidade do planeta Terra, podemos extrair várias lições e significados que dão sentido às iniciativas nesse horizonte. Um deles é o potencial latente na pequenez de uma semente. Em termos ecológicos, quando subestimamos o valor das pequenas ações e organismos da natureza, corremos o risco de esquecer que são essenciais para a sustentação de todo o ecossistema.
O exemplo de Jesus, comparando a imagem da semente que se transforma em uma grande árvore, mostra a expansão e o crescimento do reino de Deus. Esse segundo significado dá-nos a compreensão da importância do respeito aos sistemas naturais que possibilitam a semente crescer e evoluir de forma orgânica de acordo com a potencialidade da própria natureza. Nesse processo, caberá ao ser humano evitar intervenções que anulem ou prejudiquem o seu desenvolvimento saudável.
Um terceiro significado extraído dessa parábola, entre outros mais, é o sentido da oferta de abrigo e hospedagem de quem a procura. Aqui, há de se considerar a importância da interconexão e interdependência na natureza, em que todo o ser vivo desempenha um papel vital no suporte e equilíbrio do ecossistema como um todo. Em outras palavras, podemos afirmar que a natureza oferta todo o necessário para que o ser humano e outros tantos seres vivos possam viver e crescer de forma saudável e em perfeita harmonia com ela.
Na verdade, a reflexão bíblica nos interpela a promover uma visão holística da natureza em que possamos reconhecer nela a dignidade e o valor intrínseco de toda forma de vida. Disso somos e fazemos parte integral compartilhando nossa vida com a biodiversidade nela existente. Pequenas ações e atitudes transformam e importam no todo do planeta.
Confira a reflexão de Fábio Py Murta de Almeida sobre Mateus 13,31-32: Reino dos céus num grão de mostarda,disponível em https://cebi.org.br/biblia/mateus-13-31-32-reino-dos-ceus-num-grao-de-mostarda-fabio-py-murta-de-almeida/.
Numa visão mais ecumênica, você poderá encontrar a reflexão de Erní Walter Seibert, acessando https://www.luteranos.com.br/textos/mateus-13-31-33.
| Lições da Laudato Si’Crença e Felicidade: “E não pensem que estes esforços são incapazes de mudar o mundo” (LS, n. 212). “Deus, que nos chama a uma poderosa entrega e a oferecer-lhe tudo, também nos dá as forças e a luz de que necessitamos para prosseguir” (LS, n. 245). “A felicidade exige saber limitar algumas necessidades que nos entorpecem, permanecendo assim disponíveis para as múltiplas possibilidades que a vida oferece”(LS, n. 223). |
Esse é o momento da expressão do que ouvimos, meditamos e refletimos. Poderá ser manifestada em forma de louvor, de petição ou simplesmente da oração coletiva conforme sugerimos:
Ouça a “Oração de São Francisco de Assis, na voz Fagner, acessando o link: https://www.youtube.com/watch?v=99_GuzIkiUM
Aleluia! Louvai o Senhor no céu, louvai o Senhor no alto;
Louvai-o, todos os seus anjos, louvai-o, todos os seus exércitos;
Louvai-o, sol e lua, louvai-o, estrelas luzentes;
Louvai-o, espaços celestes e águas que pendem dos céus!
Louvem o nome do Senhor, pois ele mandou e foram criados;
Deu-lhes consistência perpétua e uma lei que não passará.
Louvai o Senhor da terra, cetáceos de todos os oceanos.
Raios, granizo, neve e neblina, vento de furacão que cumpre suas ordens;
Montes e todas as colinas; árvores frutíferas e cedros;
Feras e animais domésticos, répteis e aves que voam;
Reis e povos do orbe, príncipes e chefes do mundo, jovens com as donzelas,
velhos junto com as crianças: louvem o nome do Senhor, o único nome sublime;
Sua majestade sobre o céu e a terra.
Ele aumenta o vigor do seu povo.
Hino de todos os seus fiéis, de Israel, seu povo íntimo. Aleluia!
Oração da Campanha da Fraternidade 2025
Deus Onipotente, que estais presente em todo o
universo
e na mais pequenina das vossas criaturas,
Vós que envolveis com a vossa ternura tudo o que existe,
derramai em nós a força do vosso amor
para cuidarmos da vida e da beleza.
Inundai-nos de paz, para que vivamos como irmãos e irmãs
sem prejudicar ninguém.
Ó Deus dos pobres, ajudai-nos a resgatar
os abandonados e esquecidos desta terra
que valem tanto aos vossos olhos.
Curai a nossa vida, para que protejamos o mundo
e não o depredemos, para que semeemos beleza
e não poluição nem destruição.
Tocai os corações daqueles que buscam apenas benefícios
à custa dos pobres e da terra.
Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto,
a reconhecer que estamos profundamente unidos
com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita.
Obrigado porque estais conosco todos os dias.
Sustentai-nos, por favor, na nossa luta
pela justiça, o amor e a paz. Amém!
Gestos Concretos:
Organizar e participar de uma feira ou mostra sustentável no ambiente escolar envolvendo as famílias e aberto à comunidade em geral na Semana Mundial do Meio Ambiente, de 1º a 5 de junho de 2025, reunindo todas as ações e os projetos desenvolvidos ou em andamento nos diversos segmentos da escola.
Acompanhar as discussões e reflexões discutidas na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que realizar-se-á em Belém/PA, entre 10 e 21 de novembro de 2025.
Promover um momento, envolvendo as famílias, em que cada criança possa plantar uma árvore e acompanhá-la em seu crescimento e desenvolvimento. Para viabilizar este gesto, a equipe de gestores, docentes e educandos da escola buscará junto aos órgãos ambientais responsáveis um espaço propício para realizar essa ação concreta em favor da sustentabilidade.
[1] Extraída da Carta Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, nº 246.